24/05/2026

CRASE

 

Crase: quando usar (com exemplos)

Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora de Língua Portuguesa e Literatura

Crase (`) é a junção da preposição a com o artigo definido a. Também pode ser a junção da preposição a com pronomes que começam com a (aquela, aquele, aquilo).

A junção a + a resulta no a com crase, ou seja, em à, àquela, àquele, àquilo.

Sem tempo para ler? Assista ao vídeo sobre Crase

Temos um vídeo completo sobre o assunto — perfeito para quem prefere aprender assistindo.

Regras de quando usar crase

A crase pode ser usada nas seguintes situações:

  • antes de palavras femininas;
  • quando acompanham verbos que indicam destino (ir, voltar, vir);
  • nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas;
  • antes dos pronomes demonstrativos aquilo, aquela, aquele;
  • antes da locução "à moda de" quando ela estiver subentendida;
  • na indicação de horas exatas.
Dica de Crase com exemplo
Não esqueça: A crase é usada antes de palavras femininas!

Antes de palavras femininas

  • Fui à escola.
  • Fomos à praça.
  • Você vai à padaria agora?

Quando acompanham verbos que indicam destino (ir, voltar, vir)

  • Vou à padaria.
  • Fomos à praia.
  • Voltei à loja e fui bem atendido.

Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas

  • Saímos à noite.
  • À medida que o tempo passa as amizades aumentam.
  • Veja, isto foi feito às pressas!

Exemplos de locuções: à medida que, à noite, à tarde, às pressas, às vezes, à moda de.

Tirinha com dica de crase

Antes dos pronomes demonstrativos aquilo, aquela, aquele

  • No verão, voltamos àquela praia.
  • Refere-se àquilo que aconteceu ontem na festa.
  • Vou àquele lugar hoje.

Antes da locução "à moda de" quando ela estiver subentendida

  • Veste roupas à (moda de) Luís XV.
  • Dribla à (moda de) Pelé.
  • Escreve à (moda de) José de Alencar.

Uso da crase na indicação das horas

Utiliza-se a crase antes de numeral cardinal que indicam as horas exatas:

  • Termino meu trabalho às cinco horas da tarde.
  • Saio da escola às 12h30.
  • Entro à uma.

Por outro lado, quando acompanhadas de preposições (para, desde, após, perante, com), não se utiliza a crase, por exemplo:

  • Ficamos na reunião desde as 12h.
  • Chegamos após as 18h.
  • O congresso está marcado para as 15h.

Regras de quando NÃO usar crase

A crase não deve ser usada nas seguintes situações:

  • antes de palavras masculinas;
  • antes de verbos;
  • antes de pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles) e do caso oblíquo (me, mim, comigo, te, ti, contigo, se, si, o, lhe);
  • antes dos pronomes demonstrativos isso, esse, este, esta, essa.

Dica 4 de crase

Antes de palavras masculinas

  • Jorge tem um carro a álcool.
  • Samuel comprou um jipe a diesel.
  • Escreveu a lápis.

Antes de verbos

  • Estava disposto a salvar a menina.
  • Passava o dia a cantar.
  • Comprometeu-se a estudar mais.

Antes de pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo

  • Falamos a ela sobre o ocorrido.
  • Ofereceram a mim as entradas para o cinema.
  • Deram o troco a ele?

Os pronomes do caso reto são: eu, tu, ele, nós, vós, eles.
Os pronomes do caso oblíquo são: me, mim, comigo, te, ti, contigo, se, si, o, lhe.

Antes dos pronomes demonstrativos isso, esse, este, esta, essa

  • Era a isso que nos referíamos.
  • Quando aderir a esse plano, a internet ficará mais barata.
  • Já aderiu a este plano?

Crase facultativa

Dica 2 de crase

Dica sobre o uso da crase

Para saber se a crase é utilizada nos verbos de destino, utilize esse macete:

Dica 3 de crase

12/04/2026

FIGURAS DE LINGUAGEM

 

FIGURAS DE LINGUAGEM

 Recursos que tornam mais expressivas as mensagens. Subdividem-se em figuras de som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras. 

1- Figuras de som 
a) ALITERAÇÃO: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais. 
“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.” 
b) ASSONÂNCIA: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos. 
“Sou um mulato nato no sentido lato 
mulato democrático do litoral.” 
c) PARONOMÁSIA: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos. 
“Eu que passo, penso e peço.” 


2- Figuras de construção 
a) ELIPSE: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto. 
“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia) 
b) ZEUGMA: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes. 
Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro) 
c) POLISSÍNDETO: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do período. 
“ E sob as ondas ritmadas 
e sob as nuvens e os ventos 
e sob as pontes e sob o sarcasmo 
e sob a gosma e sob o vômito (...)” 
d) INVERSÃO: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase. 
“De tudo ficou um pouco. 
Do meu medo. Do teu asco.” 
e) SILEPSE: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se subentende, com o que está implícito. A silepse pode ser: 
• De gênero 
Vossa Excelência está preocupado. 
• De número 
Os lusíadas glorificou nossa literatura. 
• De pessoa 
“O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.” 
f) ANACOLUTO: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre porque se inicia uma determinada construção sintática e depois se opta por outra. 
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa. 
g) PLEONASMO: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem. 
“E rir meu riso e derramar meu pranto.” 
h) ANÁFORA: consiste na repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases. 
“ Amor é um fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói e não se sente; 
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer” 


3- Figuras de pensamento 
a) ANTÍTESE: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido. 
“Os jardins têm vida e morte.” 
b) IRONIA: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico. 
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.” 
c) EUFEMISMO: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradável. 
Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou) 
d) HIPÉRBOLE: trata-se de exagerar uma idéia com finalidade enfática. 
Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede) 
e) PROSOPOPÉIA OU PERSONIFICAÇÃO: consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de seres animados. 
O jardim olhava as crianças sem dizer nada. 
f) GRADAÇÃO OU CLÍMAX: é a apresentação de idéias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax) 
“Um coração chagado de desejos 
Latejando, batendo, restrugindo.” 
g) APÓSTROFE: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma coisa personificada). 
“Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus!” 
4- Figuras de palavras 
a) METÁFORA: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido. 
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” 
b) METONÍMIA: como a metáfora, consiste numa transposição de significado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de significados não é mais feita com base em traços de semelhança, como na metáfora. A metonímia explora sempre alguma relação lógica entre os termos. Observe: 
Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa) 
c) CATACRESE: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por empréstimo. Entretanto, devido ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado em sentido figurado. 
O pé da mesa estava quebrado. 
d) ANTONOMÁSIA OU PERÍFRASE: consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique com facilidade: 
...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles) 
e) SINESTESIA: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. 
A luz crua da madrugada invadia meu quarto. 


5- Vícios de linguagem 
A gramática é um conjunto de regras que estabelecem um determinado uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão. Acontece que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem sempre são obedecidas pelo falante. 
Quando o falante se desvia do padrão para alcançar uma maior expressividade, ocorrem as figuras de linguagem. Quando o desvio se dá pelo não-conhecimento da norma culta, temos os chamados vícios de linguagem. 
a) BARBARISMO: consiste em grafar ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma culta. 
pesquiza (em vez de pesquisa) 
prototipo (em vez de protótipo) 
b) SOLECISMO: consiste em desviar-se da norma culta na construção sintática. 
Fazem dois meses que ele não aparece. (em vez de faz ; desvio na sintaxe de concordância) 
c) AMBIGÜIDADE OU ANFIBOLOGIA: trata-se de construir a frase de um modo tal que ela apresente mais de um sentido. 
O guarda deteve o suspeito em sua casa. (na casa de quem: do guarda ou do suspeito?) 
d) CACÓFATO: consiste no mau som produzido pela junção de palavras. 
Paguei cinco mil reais por cada. 
e) PLEONASMO: consiste na repetição desnecessária de uma idéia. 
A brisa matinal da manhã deixava-o satisfeito. 
f) NEOLOGISMO: é a criação desnecessária de palavras. 
Segundo Mário Prata, se adolescente é aquele que está entre a infância e a idade adulta, envelhescente é aquele que está entre a idade adulta e a velhice. 
g) ARCAÍSMO: consiste na utilização de palavras que já caíram em desuso. 
Vossa Mercê me permite falar? (em vez de você) 
h) ECO: trata-se da repetição de palavras terminadas pelo mesmo som. 
O menino repetente mente alegremente.

i) HIPÁLAGE: É uma figura de linguagem que se caracteriza pelo desajustamento entre a função gramatical e a função lógica das palavras, quanto à semântica, de forma a criar uma transposição de sentidos. Uma das formas mais frequentes consiste na atribuição, a umsubstantivo, de uma qualidade (adjectivo) que, em termos lógicos, pertence a outro.

j)HIPÉRBATO:(do grego hyperbaton, que ultrapassa) também conhecido como inversão, é uma figura de linguagem que consiste na troca da ordem direta dos termos da oração (sujeito, verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes.

Exemplos:

a) "Aquela triste e leda madrugada" (Luís Vaz de Camões)

b) Dança, à noite, o casal de apaixonados no clube.

c) Das minhas coisas cuido eu!

l)ASSÍNDETO: é uma figura de estilo que consiste na omissão das conjunções ou conectivos (em geral, conjunções copulativas), resultando no uso de orações justapostas ou orações coordenadas assindéticas, separadas por vírgulas.

a) "Soltei a pena, Moisés dobrou o jornal, Pimentel roeu as unhas" (Graciliano Ramos)

b) Peguei o exercício, levei-o para casa, li, reli, voltei à escola, briguei com a professora, fui à direção, reclamei a falta de conectivo.

Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura


 

 

 

PROFESSOR: ELEMAR GOMES – ACESSE: BLOG: www.aulasdaminhavida.blogspot.com OU E-MAIL: elemargomes40@gmail.com